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O município de Ouro Preto já registra 174 deslizamentos de terra e 82 famílias desalojadas

10/01/2012 - 10:55:29

Deslizamentos ameaçam Patrimônio da Humanidade.

 

Patrimônio cultural da humanidade desde outubro de 1980, Ouro Preto, na região Central do Estado, atrai a atenção do Governo federal por estar com o acervo barroco do seu centro histórico - um dos mais ricos do país - sob severo risco de ser danificado ou até destruído pelas fortes chuvas.

O município já registra 174 deslizamentos de terra e 82 famílias desalojadas. Somente nos nove primeiros dias do ano, choveu 39% a mais do que o esperado para o mês de janeiro. Até segunda-feira (9), as precipitações chegaram a 372 milímetros de água.

A gravidade da situação foi discutida na manhã de segunda pela presidente Dilma Rousseff (PT) e ministros. Quatro geólogos que integram a força-tarefa criada em Brasília já teriam recebido instruções para começar a avaliar a situação em Ouro Preto e produzir um relatório da real situação da cidade.

Até a tarde de segunda, o prefeito Ângelo Oswaldo (PMDB) disse não ter informação da chegada desses profissionais. Por outro lado, o secretário de obras, Paulo Morais, disse que foi informado pelo vice-reitor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Antenor Barbosa, de que quatro geólogos da UFMG teriam interrompido as férias para atuar na cidade histórica.

O secretário de obras garantiu que, apesar da chuva histórica - nos últimos três meses, choveram 1.500 milímetros na cidade -, a prefeitura está empenhado todos os esforços para proteger a cidade. Segundo ele, a preocupação do Governo federal se deve à importância histórica e cultural do município.

Apesar das garantias do secretário, o cenário mostra uma realidade preocupante. Uma semana após a morte de duas pessoas soterradas pelo deslizamento do Morro do Piolho, que atingiu a rodoviária da cidade, outros deslizamentos assustaram os moradores na madrugada de segunda. No Morro da Forca, no bairro Pilar, a avalanche de terra não atingiu uma casa por muito pouco. A prefeitura retirou cerca de 40 caminhões de terra.

Da janela, José Geraldo de Paula, de 56 anos, e a filha, a estudante Amanda Rodrigues, de 25, ainda pareciam estar assustados com o acidente. "Ficamos muito apreensivos", disse Amanda.

O casal de nutricionistas, Elder Carvalho, de 46 anos, e Shirley Carvalho, de 43, também moram nas proximidades e não esconderam a preocupação. "Em 1979 já havia ocorrido um deslizamento nesse local, mas agora foi bem maior", afirmou Shirley.

E por causa de alagamento dos trilhos, o trem de passageiros da Vale continua com a viagem no trecho BH/Governador Valadares suspensa. Ainda não há previsão para que o trem volte a circular. Quem já comprou passagem tem 30 dias para pedir o reembolso ou remarcar a data.

 

Foto: Eduardo Tropia/Ouropress/EFE

Fonte: Hoje em Dia

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