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Segundo o ministro da fazenda, Guido Mantega, qualquer renúncia terá corte de despesa ou outra tributação.

30/06/2013 - 06:31:17

Governo pode aumentar impostos para compensar novos benefícios.

 

Diante dos protestos nas ruas, o governo federal não descarta aumentar impostos para compensar despesas que surgirem para atender às demandas da sociedade. Em entrevista ao GLOBO, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reforçou o compromisso fiscal. "Qualquer renúncia será acompanhada de corte de despesa ou de outra tributação para compensar", disse Mantega. Já é possível calcular em pelo menos R$ 50 bilhões os gastos extras com três propostas apresentadas no mês das manifestações: 10% da receita corrente bruta para a Saúde, isenção de tributos federais para o combustível e novas regras para divisão do Fundo de Participação dos Estados.

 

Nos últimos dez anos, os governos petistas gastaram menos do que o previsto no social: aplicaram só 61% do dinheiro destinado à Saúde e 38% do que seria usado em Educação.

 

 

 

 


Entrevista: Guido Mantega

 

"Qualquer renúncia terá corte de despesa ou outra tributação"

 

Martha Beck, Regina Alvarez e Sergio Fadul

 


Assim como a maioria dos brasileiros, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se surpreendeu com as manifestações das ruas nas últimas semanas. E agora cabe a ele a difícil tarefa de responder às demandas que envolvem aumento de despesas ou renúncia de receitas. Em entrevista ao GLOBO na última quinta-feira, Mantega passou um recado claro e reforçou o compromisso fiscal: os incentivos concedidos pelo governo já estão "de bom tamanho" e qualquer nova concessão terá que ser compensada com o corte de gastos de custeio ou até aumento de impostos. O ministro rebateu as críticas de que o governo errou ao dar incentivos a montadoras, em detrimento do transporte coletivo, e justificou: "A indústria ia começar a demitir. O grande objetivo era manter o emprego e foi atingido".

 

O aumento do IPI de linha branca e móveis tem o objetivo de criar espaço fiscal para novas desonerações prometidas pela presidente Dilma Rousseff, como a redução de PIS/Cofins para o diesel, para atender ao apelo das ruas?

 

Isso acabou entrando um pouco na discussão com estados e municípios para ver o que cada um pode fazer nessa desoneração. Se viermos a fazer essa desoneração, imediatamente vamos fazer uma redução de gastos, ou seja, não tem perda na arrecadação. Isso vale para todas as demandas. Nós consideramos que as desonerações estão de bom tamanho. Se porventura alguma outra desoneração chegar a ser feita, como essa do diesel, que é uma questão quase emergencial, qualquer renúncia será acompanhada de um corte de despesa ou de uma outra tributação para compensar.

 

Onde serão os cortes?

 

Não serão em investimentos. Serão em gastos de custeio da máquina. Há um mês e meio, fizemos um ajuste de 10% no custeio de todos os ministérios. Como não entrou Saúde nem Educação, em outros ministérios o corte foi maior. Aqui, por exemplo, foi de 20%. E haverá ainda mais cortes em gastos de custeio.

 

Em quais áreas o senhor vai cortar esses 20% do Ministério da Fazenda?

 

São contratos de serviços, de viagens, de compra de equipamentos e de aluguéis.

 

Que imposto o senhor poderia aumentar para compensar novas desonerações?

 

No momento, eu não sei.

 

Nos protestos nas ruas das últimas semanas, questionou-se que o governo reduziu o IPI de montadoras em detrimento da desoneração do transporte público...

 

Nós fizemos muitas desonerações para o transporte. Desoneramos a folha de pagamento do setor de transporte coletivo e não o fizemos na indústria automobilística. Reduzimos o IPI (das montadoras), mas isso não é uma desoneração permanente. E, se fizemos redução do IPI, foi porque as vendas de veículos caíram e a indústria ia começar a demitir. O grande objetivo era manter o emprego e ele foi atingido. No conjunto de desonerações, essa de veículos tem um peso pequeno. Quando reduzimos a zero o IPI de ônibus, isso beneficia a prefeitura, que vai comprar o ônibus, e reduz os custos das tarifas também.

 

No início do ano, o governo negociou com os prefeitos do Rio e de São Paulo um adiamento dos reajustes de tarifas de transporte. Será que, se o reajuste tivesse ocorrido na data prevista, teria havido tantos protestos populares?

 

Eu não sou adivinho. Nós pedimos para adiar, porque isso beneficiava a população. Era para que houvesse tempo de a desoneração da folha do setor de transporte, que começou em janeiro, ser percebida nas planilhas. A população ganhou porque adiou o aumento. Se você só dá em junho um aumento que deveria ter ocorrido no início do ano, é como se esse aumento fosse pela metade.

 

Mas é que houve uma coincidência do reajuste com a Copa das Confederações e perto da visita do Papa, num momento em que o mundo está de olho no Brasil...

 

O nosso trabalho era para que o reajuste fosse menor num momento em que você tinha forte pressão de preços. Mas também não dá para prever. Não sei de ninguém que previsse essas manifestações.

 

E as declarações do prefeito Fernando Haddad de que as finanças de São Paulo ficarão comprometidas porque não houve reajuste no início do ano?

 

Aí, você pergunta para ele e não para mim.

 

 

 

 

 

Fonte: pps.org.br

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