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Escritos entre 1925 e 1948, textos do acervo mostram o carinho do escritor pela família e trazem relatos políticos.

29/09/2013 - 05:13:11

Empresário de MG guarda mais de 200 cartas de Drummond.

 

Um empresário que mora na cidade de Lavras (MG) guarda um grande acervo de cartas de Carlos Drummond de Andrade. Eduardo Cicarelli conta que adquiriu o material, que contém fotos e correspondências escritas entre 1925 e 1948, de um parente de Drummond, há mais de 20 anos, durante uma visita ao Rio de Janeiro.

 

No acervo, há textos que evidenciam o carinho pelos pais e relatos políticos. Cicarelli afirma que, posteriormente, soube que a senhora que lhe vendeu as cartas seria a cunhada de Drummond, Ita, que herdou-as de Julieta Augusta, a mãe do poeta.

 

Ele diz não se lembrar de quanto pagou: "Na época, a moeda era o cruzeiro, e acho que dava para comprar um carro zero". Uma avaliação feita este ano estipulou o valor em pelo menos R$ 21 mil.

 

O acervo contém mais de 200 correspondências, muitas destinadas à mãe. Muitos papéis têm o timbre do Ministério da Educação e Saúde, onde trabalhou por anos. Todos estão amarelados, e o cheiro de naftalina é constante, mas continuam legíveis. Neles, o poeta mineiro deixa claro o amor à mãe: "Não tenho lhe escrito ultimamente... Mas nem por isso eu esqueço da senhora e lhe consagro sempre um pensamento carinhoso".

 

Drummond também fala de política, mas não é possível identificar se ele era ou não "Getulista", o que acabaria com um debate que persiste até hoje entre os historiadores. Em uma das correspondências, cita um acidente de carro envolvendo o ex-presidente. "Tivemos um instante de grande preocupação com o desastre sofrido pelo presidente, mas, logo depois, felizmente, verificamos que o estado dele era bom". Em outra, reclama que sua Itabira (MG) estivesse passando a se chamar "Getúlio Vargas" - medida que durou pouco tempo. "Um nome de duzentos anos, que guardamos com orgulho de pobres, mas que era para nós como um nome de pessoa querida, é bruscamente jogado fora, para uma homenagem desnecessária". Depois, o poeta assinaria um manifesto contra a falta de liberdade no governo Vargas.

 

Cicarelli afirmou que pretende vender o material para uma biblioteca, universidade ou instituição que tivesse como estudá-lo e atender ao público.

 

Foto: Eduardo Cicarelli/Divulgação

 

 

 

Fonte: O Estadao

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