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População não tem muita opção de voto.Condição que agrada quem se revesa no poder

24/10/2011 - 07:39:40

Eleição para prefeitos no interior não traz renovação

 

A um ano das eleições municipais, partidos e postulantes a candidato renovam as esperanças por mudanças. Não faltam reclamações de promessas esquecidas. Mas, em alguns municípios de Minas, os eleitores já estão certos sobre os destinos da política: o prefeito pode até ser trocado pela disputa do ano que vem, mas será um velho conhecido a assumir o posto.

Em cidades como Barbacena, Juiz de Fora e Contagem, os candidatos são sempre os mesmos. E, nas ocasiões em que eles são diferentes, recebem os apoios dos antigos caciques.

Em Juiz de Fora, na Zona da Mata, por exemplo, um trio se reveza no poder desde a década de 80: Custódio Mattos (PSDB), Tarcísio Delgado (PMDB) e Carlos Alberto Bejani (PSL). Este último teve que renunciar para não ser cassado após denúncias de corrupção, em 2007.
De acordo com Paulo Roberto Figueira Leal, cientista político da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), na última eleição, já era possível perceber a vontade de renovação no Executivo entre os eleitores.

Em 2008, a adversária de Custódio Mattos, Margarida Salomão (PT), levou a disputa para o segundo turno. "Margarida teve uma votação expressiva, com mais de 40% dos votos válidos, prova de que uma fatia significativa do eleitorado queria mudança", justificou. Mesmo com a adesão no primeiro turno, a decisão final do segundo favoreceu Custódio, que voltou à prefeitura.

 

BARBACENA


Não há governo sem as famílias


Se em diversas cidades mineiras os mesmos políticos se alternam no poder há algumas décadas, Barbacena, no Campo das Vertentes, é um símbolo histórico da polaridade. A disputa familiar, que transcende o partidarismo polítco, teve origem ainda durante o Brasil imperial. As famílias inimigas Bias Fortes e Andrada formam as duas correntes que, literalmente, dividem a cidade e o eleitorado.

Francisco Fernandes Ladeira é barbacenense e especialista em estudos sociológicos brasileiros. Em uma de suas pesquisas, analisou a peculiaridade da cidade natal. Na opinião dele, a alternância entre as duas famílias é algo já arraigado na cultura inconsciente do município. "A população vota pela tradição familiar e isso não favorece o surgimento de novas lideranças", destacou. "A curto e médio prazos, não há perspectiva de uma terceira opção".

Atualmente, a prefeita é Danuza Bias Fortes Carneiro (PMDB), que foi antecedida por Martim Francisco Borges de Andrada (PSDB).

Antes, em 2000, Célio Copati Mazoni (PMDB) foi vítima do duelo. Ele lançou candidatura independente, venceu, mas sua governabilidade ficou comprometida por causa da atuação da Câmara Municipal. Também divididos pela influência das duas linhagens, os vereadorres não aceitaram um prefeito neutro.

Danuza Bias Fortes garante que há um esforço para agregar novas lideranças. "Temos em Barbacena uma política muito apaixonada. E não são apenas projetos de famílias, mas de governo", disse a prefeita. Apesar do discurso, ela tentará se reeleger.

 

Texto: Larissa Arrantes

Fonte: O Tempo

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